
A MotoGP entrou oficialmente em uma nova era comercial. Desde julho de 2025, o campeonato passou a integrar o mesmo grupo que transformou a Fórmula 1 em um fenômeno global: a Liberty Media. Com a aquisição de aproximadamente 84% da Dorna Sports, em um negócio avaliado em mais de 4 bilhões de euros, a categoria de duas rodas passa a operar sob o mesmo comando responsável por revolucionar o modelo de negócio da F1 nos últimos anos.
O clima é de expectativa e cautela. A comparação com a Fórmula 1 é inevitável. Desde que assumiu o controle da F1 em 2017, a Liberty Media ampliou drasticamente a audiência global, atraiu um público mais jovem, fechou contratos de transmissão recordes e reposicionou a categoria como um produto de entretenimento mundial. Agora, a grande pergunta é se esse mesmo modelo pode ser aplicado com sucesso à MotoGP.
Carlos Ezpeleta, diretor esportivo da Dorna, vê a mudança como um ponto de virada histórico. Em conversas no paddock, o dirigente definiu o momento como o início de “uma nova era, com mais investimentos e uma visão de longo prazo para o crescimento global do campeonato”. Segundo ele, a estrutura comercial da MotoGP precisava de um salto para competir em igualdade com outras grandes propriedades esportivas internacionais.
VEJA TAMBÉM: Top 10 pilotos da MotoGP em 2025
Entre os chefes de equipe, o otimismo também aparece de forma clara. Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing, destacou o impacto que a Liberty Media teve na Fórmula 1 e acredita que o mesmo pode acontecer nas motos.
“Vimos o que a Fórmula 1 alcançou. Eles adicionaram uma dimensão de entretenimento que antes não existia, e tenho certeza de que farão algo semelhante aqui”, afirmou Rivola, deixando claro que a categoria pode ganhar fora das pistas tanto quanto dentro delas.
Paolo Campinoti, chefe da Pramac Racing, segue a mesma linha e enxerga benefícios diretos para todo o ecossistema do esporte.
“Isso beneficia o campeonato em grande escala. Marketing, visibilidade, experiência do fã… tudo tende a crescer”, avaliou o dirigente italiano, apontando que equipes e patrocinadores devem ser diretamente impactados pelo novo modelo comercial.
A expectativa geral é que a MotoGP amplie sua base de fãs, aumente receitas de mídia, fortaleça o engajamento com patrocinadores e ganhe uma presença digital muito mais agressiva, replicando estratégias que já deram certo na Fórmula 1, como conteúdos audiovisuais mais narrativos e maior aproximação com o público jovem.
No entanto, nem todos veem a mudança sem ressalvas. Parte dos observadores mais experientes do paddock alerta para o risco de uma “F1-ização” excessiva da MotoGP. A crítica é, enquanto a Fórmula 1 construiu grande parte de seu crescimento recente apoiada em storytelling, personalidades e entretenimento televisivo, a MotoGP sempre teve uma identidade mais crua, visceral e centrada na pilotagem pura.
Esses críticos temem que, ao tentar copiar o modelo da F1, a MotoGP possa diluir justamente aquilo que a torna única. Ainda assim, os primeiros sinais de transformação já são visíveis no maior foco na experiência do fã, novas ativações comerciais, crescimento das exigências digitais para equipes e pilotos e uma reavaliação dos direitos de mídia em escala global.

A estratégia da Liberty Media é clara: não apenas administrar a MotoGP, mas elevá-la ao mesmo patamar de relevância mundial da Fórmula 1. Para fãs, equipes e patrocinadores, o cenário representa uma oportunidade inédita de expansão, mas também uma mudança cultural profunda. A resposta definitiva ainda virá com o tempo, mas uma coisa é certa: a MotoGP jamais será a mesma após a chegada da Liberty Media.
Fonte: MotoGP.com




[…] VEJA TAMBÉM: MotoGP surfa na onda da Fórmula 1: Liberty Media aposta alto para transformar o campeonato em uma m… […]