KTM precisa de reinício total, afirma chefe da Bajaj: “Produção europeia está morta”

Rajiv Bajaj, presidente da Bajaj Auto, afirmou que a KTM precisa de um “reinício total”, apontando dívidas bilionárias, excesso de estoques e declarando que “a produção europeia está morta”, levantando dúvidas sobre o futuro da marca austríaca.

Em uma entrevista recente à CNBC-TV18, Rajiv Bajaj, presidente da Bajaj Auto, fez declarações fortes sobre a situação da KTM. Ele afirmou que “a produção europeia está morta” e que é preciso “reiniciar tudo” na marca austríaca, em função de seus problemas financeiros, excesso de estoques e uma crise estrutural crescente.

MOTO AUTO | KTM BAJAJ

Bajaj destacou que KTM acumulou uma dívida entre 1,8 e 2,2 bilhões de euros antes de declarar falência no fim de 2024, enfrentando ainda montanhas de motocicletas sem vender — estimadas em cerca de 182.000 unidades ao final daquele ano. A produção foi temporariamente suspensa, deixando claro que o modelo atual não está mais funcionando.

Para ele, as soluções exigem uma mudança profunda. A primeira etapa seria reposicionar a KTM como marca premium, enxugar sua linha de produtos — “muitas variações acabam matando a marca” — e focar no que realmente importa. A segunda etapa envolveria uma redução drástica de custos de produção, possivelmente transferindo parte da montagem para fora da Europa. Bajaj citou exemplos como Triumph, cuja fabricação migrou para a Tailândia anos atrás, e disse que, se outras marcas conseguiram isso, a KTM poderia também.

Dentro da Europa, especialmente em Mattighofen, os funcionários da KTM reagiram com apreensão. O CEO Gottfried Neumeister negou que exista até agora qualquer plano concreto para realocar fábricas ou transferir produção, mas as declarações de Bajaj deixaram uma atmosfera de urgência e incerteza.

Com margens de lucro relevantes sendo registradas em operações na Índia — segundo Bajaj as motos KTM fabricadas lá geram EBITDA acima de 30% — a comparação entre produção europeia versus produção asiática passa a ser inevitável. A KTM enfrenta agora o grande dilema: preservar suas raízes históricas na Áustria ou implementar mudanças radicais para garantir viabilidade financeira e competitividade no futuro. 


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