
A temporada 2026 da MotoGP ainda nem começou oficialmente nos circuitos, mas fora deles a disputa já está em pleno andamento. Nos bastidores do paddock, contratos assinados e folhas salariais revelam uma realidade dura: hoje, o campeonato também é decidido nos números e nem sempre eles acompanham o desempenho esportivo.
Com os testes de pré-temporada se aproximando, os holofotes estão voltados para os estreantes, para o retorno em tempo integral de Jorge Martín, para a arriscada aposta da Yamaha no motor V4 e para as incertezas que cercam nomes como Pecco Bagnaia e Marc Márquez. Mas, por trás dessas narrativas esportivas, existe outra corrida: a financeira.
Márquez no topo… e Quartararo surpreende
Como esperado, Marc Márquez lidera a hierarquia salarial da MotoGP em 2026. O nove vezes campeão mundial recebe cerca de 17,2 milhões de euros por temporada, valor que cresceu significativamente após sua chegada à Ducati e foi impulsionado pelos 11 triunfos em GPs e 14 vitórias em corridas sprint. A mensagem é clara: títulos ainda são o ativo mais valioso do campeonato.
Logo atrás e aqui surge o primeiro choque, aparece Fabio Quartararo, com 12 milhões de euros anuais. O francês assinou esse contrato milionário em 2024, quando a Yamaha já enfrentava sérias dificuldades técnicas. Na época, recusou projetos mais competitivos em troca de estabilidade financeira.
Dois anos depois, a situação pesa: a Yamaha segue como a moto menos competitiva do grid e não vence há três temporadas. Quartararo se tornou o símbolo de um paradoxo moderno da MotoGP, estar entre os pilotos mais bem pagos sem dispor de uma máquina capaz de lutar por vitórias. O novo projeto V4, estreado em 2026, surge como sua última grande esperança de reverter esse cenário.
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Bagnaia perde força no tabuleiro
Na terceira posição aparece Pecco Bagnaia, com um salário estimado em 7 milhões de euros por ano. Bicampeão mundial em 2022 e 2023, o italiano parecia consolidado como pilar da Ducati, mas a temporada 2025 mudou o panorama.
Resultados irregulares, dificuldades frente a Márquez e o fim de contrato se aproximando deixaram o piloto em uma posição delicada. Seu futuro após 2026 já não é tratado como garantido, e seu salário pode se transformar em peça-chave nas próximas negociações.
A queda abrupta após o “top 3”
A partir do quarto lugar, a diferença salarial se torna brutal. Jorge Martín, campeão mundial de 2024, recebe cerca de 4,2 milhões de euros, um número considerado baixo para alguém com um título recente. Sua transferência para a Aprilia, marcada por lesões e instabilidade, impediu uma valorização maior.
Muito próximo aparece Maverick Viñales, mesmo correndo por uma equipe satélite (Tech3). Na sequência surgem Johann Zarco (cerca de €4 milhões) e Jack Miller (€3 milhões), veteranos valorizados tanto pela experiência quanto pela consistência ao longo dos anos.
Contradições difíceis de explicar

Mais abaixo, a lista revela disparidades que desafiam qualquer lógica puramente esportiva. Joan Mir, campeão mundial em 2020, ainda recebe cerca de 3 milhões de euros, enquanto Luca Marini ganha aproximadamente 900 mil euros, uma diferença explicada quase exclusivamente pelo título conquistado seis anos atrás.
Na KTM, o paradoxo é ainda mais evidente: pilotos de equipes satélite recebem mais do que os pilotos oficiais. Viñales e Bastianini (cerca de €2,5 milhões) superam Pedro Acosta (€1,5 milhão) e Brad Binder (€1 milhão), apesar de Acosta e Binder serem considerados pilares do projeto.
Outra anomalia chama atenção: Álex Márquez, vice-campeão mundial, recebe menos de 1 milhão de euros, enquanto o estreante Fermín Aldeguer ganha algo em torno de 300 mil euros, números que refletem mais a lógica contábil do que o desempenho recente.
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O caso Bezzecchi e a conclusão inevitável
Talvez o exemplo mais chocante seja o de Marco Bezzecchi na Aprilia. Apesar de ser piloto de fábrica, seu salário está no mesmo patamar dos pilotos da Trackhouse, ficando cerca de 3,7 milhões de euros abaixo do que recebe seu companheiro de equipe. Um status oficial sem o reconhecimento financeiro correspondente.
| Piloto | Equipe (2026) | Salário (€) | Salário aproximado (R$) |
|---|---|---|---|
| Marc Márquez | Ducati | €17,2 mi | ≈ R$107,5 mi |
| Fabio Quartararo | Yamaha | €12 mi | ≈ R$75,0 mi |
| Pecco Bagnaia | Ducati | €7 mi | ≈ R$43,8 mi |
| Jorge Martín | Aprilia | €4,2 mi | ≈ R$26,3 mi |
| Maverick Viñales | Tech3 KTM | €4 mi | ≈ R$25,0 mi |
| Johann Zarco | LCR Honda | €4 mi | ≈ R$25,0 mi |
| Jack Miller | KTM | €3 mi | ≈ R$18,8 mi |
| Joan Mir | Honda | €3 mi | ≈ R$18,8 mi |
| Enea Bastianini | Tech3 KTM | €2,5 mi | ≈ R$15,6 mi |
| Pedro Acosta | KTM | €1,5 mi | ≈ R$9,4 mi |
| Brad Binder | KTM | €1 mi | ≈ R$6,3 mi |
| Álex Márquez | Gresini Ducati | €900 mil | ≈ R$5,6 mi |
| Luca Marini | Honda | €900 mil | ≈ R$5,6 mi |
| Marco Bezzecchi | Aprilia | €900 mil | ≈ R$5,6 mi |
| Fermín Aldeguer | Ducati | €300 mil | ≈ R$1,9 mi |
Fonte: MotoGP.com




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