
O futuro da MotoGP passa não apenas pela competição na pista, mas também pela capacidade do campeonato de se consolidar como um produto de entretenimento global. Essa é a visão de Davide Brivio, chefe da equipe Trackhouse, um dos dirigentes mais experientes do paddock e com passagens marcantes tanto pela MotoGP quanto pela Fórmula 1.
Responsável por títulos históricos, como os campeonatos de Valentino Rossi com a Yamaha e de Joan Mir com a Suzuki em 2020, Brivio voltou ao Mundial de Motovelocidade em 2024 após alguns anos na F1. Agora, observa de perto um momento de transição importante para a categoria, especialmente após a Liberty Media assumir o controle majoritário da Dorna, detentora dos direitos da MotoGP.
Apesar das especulações sobre mudanças profundas, Brivio garante que, por enquanto, o funcionamento interno segue praticamente o mesmo.
“Sabemos que a Liberty se tornou a principal acionista da Dorna. Mas, na prática, continuamos trabalhando com a Dorna, com o Carmelo, com o Carlos Ezpeleta, com as mesmas pessoas de sempre”, afirmou Brivio em entrevista exclusiva.
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A MotoGP como esporte e entretenimento
Para Brivio, o espetáculo esportivo da MotoGP continua forte, mas isso não é suficiente para garantir crescimento sustentável no longo prazo.
“O lado esportivo está bem. Sempre pode melhorar, mas está bem”, explicou.
“O que precisamos melhorar é ampliar o público, penetrar em novos países, aumentar o engajamento dos fãs e atrair mais pessoas.”
Segundo o dirigente italiano, essa visão nem sempre agrada aos fãs mais puristas.
“Talvez os apaixonados mais tradicionais não gostem de ouvir isso, mas na era moderna o esporte também é entretenimento”, afirmou.
“Precisamos olhar por esse ponto de vista: o que podemos fazer para que a MotoGP entretenha mais pessoas.”
Abrir a MotoGP para novos públicos
Brivio faz questão de reforçar que ampliar o alcance do campeonato não significa descaracterizar a essência das corridas.
“Para quem é apaixonado por motos, pneus, combustível e motores, as corridas são ótimas. Dá para assistir e aproveitar muito”, disse.
“Mas precisamos nos abrir para pessoas que talvez não sejam loucas por MotoGP, mas que podem ir a uma corrida, visitar o paddock e curtir a atmosfera.”
O dirigente compara a MotoGP com outros grandes esportes globais, como o futebol europeu e a NBA.
“Você vai a um jogo da Champions League não só pelo que acontece no campo, mas pela atmosfera, pelas pessoas torcendo, pela experiência”, explicou.
“Na NBA, famílias comem, bebem, assistem ao jogo e vão embora felizes. É isso que o esporte está se tornando.”
Sustentabilidade e crescimento global
Na visão de Brivio, investir no entretenimento é essencial para garantir a sobrevivência econômica e a expansão mundial da MotoGP.
“Precisamos desenvolver essa parte do entretenimento sem tirar nada do lado esportivo”, destacou.
“É assim que podemos sobreviver, justificar correr pelo mundo inteiro e tornar o esporte sustentável economicamente.”
Essa visão está alinhada com os planos recentes apresentados por Carlos Ezpeleta, diretor esportivo da Dorna, que defende uma MotoGP menos eurocêntrica, mais próxima de áreas como música, moda e cultura urbana, além de maior exposição dos pilotos fora das pistas.
Uma visão compartilhada no paddock
O pensamento de Brivio ecoa declarações feitas anteriormente por Claudio Domenicali, CEO da Ducati, após a entrada da Liberty Media no comando da MotoGP.
“Nós não nos vemos apenas como uma fabricante de motos, mas como uma empresa de entretenimento”, disse Domenicali na ocasião.
“A Fórmula 1 mostrou, especialmente nos Estados Unidos, como é possível crescer muito em público. A MotoGP também tem esse potencial.”
Segundo Domenicali, se equipes, organizadores e fabricantes trabalharem juntos, o campeonato pode atingir um público muito maior sem perder sua identidade.
Um novo capítulo para a MotoGP

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Com novas regras técnicas previstas para 2027, foco em segurança, mais ultrapassagens e maior presença fora das pistas, a MotoGP entra em uma fase decisiva. Para Davide Brivio, a mensagem é clara: competição de alto nível continua essencial, mas o futuro do campeonato passa também por emocionar, envolver e entreter.
Fonte: https://www.crash.net



